Cícero Péricles teve, nesta terça-feira (28), entrevista publicada no Diário de Pernambuco. O economista alagoano analisa o futuro governo de Dilma Roussef e suas ações para o desenvolvimento do Nordeste.
Qual a sua expectativa para o novo governo?
A proposta politicamente mais forte anunciada pelo Governo Dilma é a de combater a pobreza extrema. Nada mais importante para o Nordeste. O problema regional nordestino persiste, apesar dos avanços econômicos e sociais das últimas décadas. Não é à toa que, num conjunto de 16,1 milhões de famílias vivendo no Nordeste, 6,5 milhões de famílias recebam dinheiro do programa Bolsa Família e 7,5 milhões sejam beneficiários da Previdência Social. Há uma clara percepção entre os dirigentes nacionais que o Brasil não poderá avançar econômica e socialmente sem que o Nordeste se desenvolva mais rápido que as demais regiões. Deste modo, seguramente a região nordestina continuará recebendo um tratamento especial do governo federal.
Que elementos deveriam constar, minimamente, numa política de desenvolvimento do Nordeste?
Se levarmos em conta que os problemas centrais da economia nordestina – pobreza, desigualdades de renda e indicadores sociais negativos, aliados à carência de infraestrutura e frágil setor financeiro – formam um conjunto já diagnosticado e conhecido, a política ideal é aquela que combine os diversos instrumentos capazes de superar os problemas que travam o desenvolvimento regional. A resposta para a criação de mais riquezas virá da combinação de investimentos em infraestrutura com a ampliação de recursos para financiamento às empresas, tanto as instaladas como as que querem se instalar. Essa seria uma resposta parcial. Pelos indicadores regionais apresentados, o Nordeste necessita ampliar os recursos na área social, combinando mais as políticas permanentes, como educação e saúde, e os programas de transferências de renda, permitindo à região elevar seus índices de desenvolvimento humano e alcançar a média nacional.
O crescimento atual do Nordeste é sustentável ou vai depender de quem esteja no governo?
Esse modelo de desenvolvimento social que impulsiona a economia regional deverá ser mantido nos próximos anos. As políticas e os programas, que têm mudado a paisagem social e causado forte impacto na economia local, estão inscritos em forma de lei, a exemplo do SUS e o Fundeb, políticas que têm mais peso no Nordeste que em outras regiões. Num governo futuro, a previdência social ou o programa Bolsa família poderão ser calibrados para mais ou menos, mas não podem ser abolidos. A recuperação do salário mínimo demonstrou ser uma política de desenvolvimento muito forte para ser abandonada sem muitas explicações.
O crescimento econômico sozinho é incapaz de reduzir as desigualdades regionais?
Dada as imensas diferenças regionais construídas ao longo de décadas, mesmo com taxas positivas, o Nordeste não alcançará tão cedo uma participação relativa equivalente a de sua população na economia brasileira. Mas esse não parece ser o problema central da economia nordestina, e sim sua pobreza combinada às conhecidas desigualdades de renda, que limita o tamanho do mercado consumidor e o volume dos investimentos. Na década atual, o Nordeste , com 80% da população urbanizada, atravessa uma fase de crescimento que já gerou três milhões de novos empregos formais, e, beneficiado pelos recursos sociais, assiste uma explosão de consumo sustentado pelos segmentos de baixa renda que dinamizam os setores relacionados a este consumo: o comércio no varejo e a indústria de bens populares. Neste novo cenário, a pobreza e a miséria vêm diminuindo, abrindo espaços para que Nordeste cresça mais rápido, aproximando-se da média nacional.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Cícero Péricles é entrevistado pelo Diário de Pernambuco
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ECONOMIA
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Cícero Almeida está isolado
Ao se avaliar os últimos acontecimentos da cena política alagoana, não se pode evitar a conclusão de que o vitorioso prefeito Cícero Almeida, talvez ainda não sabendo, vive uma situação semelhante à do rei Pirro (280 a.C.), que, ao responder aos elogios pela vitória na Batalha de Heracleia, reconheceu que vencer os romanos com tantas perdas não compensava: "uma outra vitória como esta e estou arruinado completamente".
Não há dúvidas de que o prefeito de Maceió tem reconhecimento popular — provou isso ao ajudar Teo Vilela a conquistar votos em Maceió —, mas não com a dimensão que ele imagina ter. Ele chegou a afirmar, em recente entrevista coletiva, que havia derrotado o presidente Lula nas eleições em Alagoas. “O Lula pediu votos para o Ronaldo, apareceu na televisão e nem a sua popularidade impediu a nossa vitória”, avaliou, sem modéstia, Cícero Almeida.
Talvez seja exatamente nesse referencial com Lula que Cícero Almeida esteja cometendo o seu erro mais grave. Ele pode estar fazendo a leitura de que foram somente os altos índices de aprovação que deram autoridade ao presidente Lula para eleger sua candidata Dilma Roussef, esquecendo que Lula vendeu o tempo todo a ideia de que ele e Dilma representavam um projeto de poder que vinha dando certo e, principalmente, construiu alianças eleitorais substantivas para conseguir a vitória.
Isolamento
Mesmo reconhecendo a importância de Cícero Almeida para a eleição de Teo Vilela ao governo e Benedito de Lira para o senado, vale lembrar que o prefeito tinha o projeto inicial de ser o candidato ao governo do Chapão, aliança entre PT, PMDB, PDT, PTB, PP e PCdoB, e que não conseguiu, mesmo quando as pesquisas apontavam que ele era o candidato que tinha mais condições de derrotar qualquer adversário.
Quando se apresentou como candidato, Almeida não conseguiu se firmar como comandante de um projeto político e nem estabelecer relações de confiança suficientes para acomodar todos os interesses. O próprio Cícero Almeida reconheceu as incertezas que cercavam a sua candidatura ao governo, quando as suas chances eram muito boas. “O cavalo estava selado, pronto para montar, mas a minha preocupação era levar um coice no meio do caminho”, justificou.
Se não havia confiança no grupo político do Chapão, o caminho seria construí-la ou, em último caso, estabelecer outro projeto de aglutinação de forças, mas nunca sacrificar a perspectiva de construção de alianças. Deixar que as reações intempestivas e emocionais interferissem na racionalidade necessária para a convivência entre forças políticas diferentes, demonstrou que o prefeito ainda não tem maturidade política para comandar um projeto de poder. O pensador francês Alexis de Tocqueville brincava com isso ao afirmar que "na política, os ódios comuns são a base das alianças".
Se analisarmos o rescaldo da vitória do prefeito, encontraremos a seguinte situação: Cícero Almeida não faz parte de nenhum acordo com Teo Vilela e rompeu com Ronaldo Lessa, Fernando Collor e João Lira; sustenta uma frágil relação com o PT e tem problemas com a sua vice, Lourdinha Lira, o que limita os seus movimentos. Mesmo assim, Cícero Almeida alimenta a perspectiva de eleger o seu sucessor, como o presidente Lula, e ainda disputar o governo em 2014. Não é impossível, mas vai precisar de muita engenharia política para reconstruir as alianças necessárias.
Foto: Luis Vilar - Alagoas24Horas
Não há dúvidas de que o prefeito de Maceió tem reconhecimento popular — provou isso ao ajudar Teo Vilela a conquistar votos em Maceió —, mas não com a dimensão que ele imagina ter. Ele chegou a afirmar, em recente entrevista coletiva, que havia derrotado o presidente Lula nas eleições em Alagoas. “O Lula pediu votos para o Ronaldo, apareceu na televisão e nem a sua popularidade impediu a nossa vitória”, avaliou, sem modéstia, Cícero Almeida.
Talvez seja exatamente nesse referencial com Lula que Cícero Almeida esteja cometendo o seu erro mais grave. Ele pode estar fazendo a leitura de que foram somente os altos índices de aprovação que deram autoridade ao presidente Lula para eleger sua candidata Dilma Roussef, esquecendo que Lula vendeu o tempo todo a ideia de que ele e Dilma representavam um projeto de poder que vinha dando certo e, principalmente, construiu alianças eleitorais substantivas para conseguir a vitória.
Isolamento
Mesmo reconhecendo a importância de Cícero Almeida para a eleição de Teo Vilela ao governo e Benedito de Lira para o senado, vale lembrar que o prefeito tinha o projeto inicial de ser o candidato ao governo do Chapão, aliança entre PT, PMDB, PDT, PTB, PP e PCdoB, e que não conseguiu, mesmo quando as pesquisas apontavam que ele era o candidato que tinha mais condições de derrotar qualquer adversário.
Quando se apresentou como candidato, Almeida não conseguiu se firmar como comandante de um projeto político e nem estabelecer relações de confiança suficientes para acomodar todos os interesses. O próprio Cícero Almeida reconheceu as incertezas que cercavam a sua candidatura ao governo, quando as suas chances eram muito boas. “O cavalo estava selado, pronto para montar, mas a minha preocupação era levar um coice no meio do caminho”, justificou.
Se não havia confiança no grupo político do Chapão, o caminho seria construí-la ou, em último caso, estabelecer outro projeto de aglutinação de forças, mas nunca sacrificar a perspectiva de construção de alianças. Deixar que as reações intempestivas e emocionais interferissem na racionalidade necessária para a convivência entre forças políticas diferentes, demonstrou que o prefeito ainda não tem maturidade política para comandar um projeto de poder. O pensador francês Alexis de Tocqueville brincava com isso ao afirmar que "na política, os ódios comuns são a base das alianças".
Se analisarmos o rescaldo da vitória do prefeito, encontraremos a seguinte situação: Cícero Almeida não faz parte de nenhum acordo com Teo Vilela e rompeu com Ronaldo Lessa, Fernando Collor e João Lira; sustenta uma frágil relação com o PT e tem problemas com a sua vice, Lourdinha Lira, o que limita os seus movimentos. Mesmo assim, Cícero Almeida alimenta a perspectiva de eleger o seu sucessor, como o presidente Lula, e ainda disputar o governo em 2014. Não é impossível, mas vai precisar de muita engenharia política para reconstruir as alianças necessárias.
Foto: Luis Vilar - Alagoas24Horas
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POLÍTICA
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Cade acaba com privilégios da TV Globo no futebol

Na reunião do Cade, que aconteceu quarta-feira (20), ficou decidido que a emissora dos Marinhos não tem mais o direito de cobrir a melhor proposta para aquisição do direito de transmissão por TV do Campeonato Brasileiro. Antes, eram entregues os envelopes fechados ao Clube dos 13. Se a melhor proposta não fosse a da Globo, somente ela tinha o direito de fazer novo lance.
O Cade também definiu que, a partir de 2012, quando os direitos sobre o campeonato serão recontratados, as transmissões terão que ser negociadas por mídia. Isso significa que empresas diferentes poderão adquirir os direitos de transmissão para TV aberta, TV paga, pay-per-view, internet e celular.
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ESPORTES
terça-feira, 7 de setembro de 2010
As metas de Alagoas para a governabilidade de Dilma

O outro objetivo do PT e da candidata Dilma para as eleições 2010 era o de eleger uma maioria folgada de senadores e deputados federais, que liberasse o governo das demoradas e custosas negociações para aprovação das suas matérias. Essa questão é tão importante que Lula chegou a afirmar que trocaria um senador por três governadores.
Considerando que os números das pesquisas, hoje, apontam para uma vitória da Dilma ainda no primeiro turno, não é de se estranhar que Lula comece a dirigir suas ações para fortalecer a base de apoio, investindo politicamente nas campanhas dos candidatos ao senado e à câmara dos deputados. Por essa lógica, em Alagoas, interessaria ao projeto de governabilidade que os senadores eleitos fossem Renan Calheiros e Benedito de Lira. Renan parece estar com sua candidatura estabilizada num patamar com amplas chances de vitória, enquanto que Biu de Lira não consegue chegar ao eleitorado de Heloisa Helena, para desbancá-la da outra vaga. Sua campanha tem se limitado à disputa do segundo voto do eleitor de Renan Calheiros.
A corrida para o governo de Alagoas também sofre reflexos das prioridades do projeto nacional de Lula e aliados. Collor, que já é um senador da base do governo, apóia Dilma e com isso neutraliza os parceiros de Brasília no envolvimento com a disputa local. A candidatura Ronaldo Lessa ao governo do estado é a mais atingida com a definição das vitórias de Dilma e Renan: se suas candidaturas tivessem ainda dependendo da conquista de votos, Ronaldo Lessa teria que ser mais bem tratado e estimulado.
Para a Câmara Federal, a chapa de Collor poderá eleger três deputados entre os quatro mais cotados, que são João Lyra, Célia Rocha, Francisco Tenório e Ada Mello: todos apóiam Dilma. Os três possíveis eleitos da chapa de Theo Vilela estão entre dos quatros que melhor aparecem nas pesquisas: Arthur Lira e Givaldo Carimbão, que votam em Dilma, e Rui Palmeira e Alexandre Toledo, que acompanham Serra. Nas hostes de Ronaldo Lessa o apoio à Dilma é total. A disputa das três vagas, que a coligação espera conquistar, se dá hoje entre Renan Filho, Joaquim Beltrão, Rosinha da Adefal e Maurício Quintela. Como se percebe, dos 12 candidatos que disputam as nove vagas, dez estão afinados com o projeto nacional de Dilma e dos três senadores, dois também estão no barco lulista. Com esses números, a coordenação nacional da campanha Dilma deve estar concluindo que Alagoas já cumpriu bem a sua meta. Então, até a próxima.
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POLÍTICA
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Analistas já aceitam que eleições presidenciais podem ser resolvidas no primeiro turno
O Ibope divulgou nesta segunda-feira, 16, resultado de pesquisa realizada entre os dias 12 e 15 de agosto, que coloca a petista Dilma Roussef com uma diferença de 11 pontos sobre o seu principal adversário, José Serra. Segundo o Ibope, Dilma subiu para 43% das intenções de voto, contra 32% do tucano.
Esses números se somam a outros resultados semelhantes colhidos pelos institutos CNT/Sensus, Datafolha, Vox Populi, que confirmam o crescimento da petista, e coloca dúvidas sobre a necessidade de um segundo turno. Numa rápida navegada na web, recolhemos a repercussão das últimas pesquisas entre os mais influentes colunistas e blogueiros políticos do país. O resultado é que todos reconhecem a vantagem da candidata Dilma e, entre os seis escolhidos, quatro deles já entendem que há a possibilidade de tudo ser resolvido ainda no primeiro turno.
“Tudo aquilo que os tucanos mais temiam, vai acontecer. Vai iniciar o horário eleitoral com Dilma já tendo tomado uma dianteira. (Lucia Hippolito - Jornal da CBN, 1ª edição – 16.8.2010).
“Como as margens de erro são grandes, esses resultados devem ser vistos com cautela, mas a sua repetição e intensificação a cada pesquisa são um sinal de que o tucano tem um problema grande a resolver”. (Blog do Noblat – 17.8.2010).
“Nesse cenário, Dilma poderia ser eleita no primeiro turno se a eleição fosse hoje”. (Josias de Souza – Folha Online– 16.8.2010).
“A campanha eleitoral começa nesta terça-feira com a propaganda dos candidatos na televisão em cenário amplamente favorável à candidata petista, Dilma Rousseff. Ela vem ampliando seguidamente a vantagem sobre seu principal adversário José Serra e, conforme a pesquisa Ibope divulgada hoje, poderia vencer no primeiro turno se as eleições fossem hoje”. (Cristiana Lôbo – G1 - 17.8.2010).
“O Jornal Nacional acaba de divulgar a mais recente pesquisa Ibope. Na minha época de boleiro na gloriosa Praia Grande a gente chamava um resultado tão dilatado como esse de chocolate. Dilma tem 43% contra 32% de Serra e 8% de Marina. Com esses números o segundo turno ficaria, talvez, para 2014. Dilma passou a ter 51% dos votos válidos”. (Renato Rovai – Blog do Rovai - 16.8.2010).
“Se os números fossem rigorosamente esses, ela teria 51% dos votos válidos e seria eleita no primeiro turno”. (Reinaldo Azevedo – Veja - 16.8.2010).
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POLÍTICA
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
A promotora que não quis ser comendadora

O episódio trás à tona um velho problema das homenagens oficiais: o predomínio da falta de critérios. Na maioria das vezes, comendas, medalhas e outras condecorações são reduzidas a moedas de troca, que funcionam para consolidar relações políticas eleitorais ou neutralizar agentes do poder público. A Câmara, por exemplo, está sob marcação cerrada do MP, que exige do poder municipal a abertura da sua caixa preta e regularização dos servidores. É num momento como esse, que o poder legislativo municipal decide entregar uma honraria a membros da instituição que o investiga. A promotora teve a sensibilidade de não se colocar sob suspeição e recusou a comenda.
O absurdo dessa situação é que, além de expor a falta de critérios, a Câmara também demonstrou que não teve a mínima preocupação em conversar com os possíveis homenageados para saber se eles aceitavam receber a comenda. O nome do grande Pontes de Miranda não merece estar envolvido com um poder legislativo tão descuidado. O que ameniza a situação é a certeza de que alguns dos futuros comendadores são merecedores do título.
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POLÍTICA
segunda-feira, 12 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Nada vai mudar meu mundo
Zapeando na Sky encontrei o musical Across the universe sendo exibido em um dos canais telecine.
Sei que a telinha trás alguns prejuízos para filmes produzidos para os telões do cinema, o que pode ter interferido em minha opinião sobre a homenagem aos Beatles. Mas, sobre opinião, o importante é tê-la.
Os anos de 1960 foram pródigos na produção de temas que mobilizaram a juventude. É nessa década que a palavra rebelião entra para o vocabulário dos filhos da classe média e sacode estruturas sociais seculares.
Os super poderes do estado, famílias, escolas e igrejas são postos em discussão. São esses ingredientes que inspiram a trilha sonora dos 60.
The Beatles aparece, na conservadora Inglaterra, como a voz da ruptura, quebrando tabus. A juventude da classe média é convidada a mudar o mundo e, enquanto isso não acontece, vai usufruindo as sensações que um estado de liberdade individual poderia oferecer, mesmo quando, em alguns casos, alcançado com ajuda da química.
Para não ser injusto, é bom lembrar que muitos jovens da época estabeleceram, como ícone, a famosa foto de Che Guevara feita por Alberto Korda. Alguns poucos chegaram mesmo a seguir o exemplo do revolucionário argentino.
A diretora Julie Taymor costura vários clips com um suave drama romântico. A técnica dos vídeos clips musicais, própria das MTVs e facilmente aceita pelos jovens, recebe efeitos digitais que remetem aos devaneios lisérgicos e devolve o filme para o ambiente da contracultura.
Across the universe conta uma história que oscila entre “água com açúcar” e “canto da liberdade”, ou melhor, entre coca-cola e cuba libre.
Como musical, ficou devendo ao outro mais conhecido: Hair – que já não foi lá essas coisas. Como panorama histórico dos anos 60, passou longe do excelente Forrest Gump.
O cinema, enquanto arte, também pode nos ajudar a ver o mundo com outros olhos. Após assistir Across the universe posso concluir que “nada vai mudar meu mundo” (nothing's gonna change my world), se depender do filme.
Sei que a telinha trás alguns prejuízos para filmes produzidos para os telões do cinema, o que pode ter interferido em minha opinião sobre a homenagem aos Beatles. Mas, sobre opinião, o importante é tê-la.
Os anos de 1960 foram pródigos na produção de temas que mobilizaram a juventude. É nessa década que a palavra rebelião entra para o vocabulário dos filhos da classe média e sacode estruturas sociais seculares.
Os super poderes do estado, famílias, escolas e igrejas são postos em discussão. São esses ingredientes que inspiram a trilha sonora dos 60.
The Beatles aparece, na conservadora Inglaterra, como a voz da ruptura, quebrando tabus. A juventude da classe média é convidada a mudar o mundo e, enquanto isso não acontece, vai usufruindo as sensações que um estado de liberdade individual poderia oferecer, mesmo quando, em alguns casos, alcançado com ajuda da química.
Para não ser injusto, é bom lembrar que muitos jovens da época estabeleceram, como ícone, a famosa foto de Che Guevara feita por Alberto Korda. Alguns poucos chegaram mesmo a seguir o exemplo do revolucionário argentino.
A diretora Julie Taymor costura vários clips com um suave drama romântico. A técnica dos vídeos clips musicais, própria das MTVs e facilmente aceita pelos jovens, recebe efeitos digitais que remetem aos devaneios lisérgicos e devolve o filme para o ambiente da contracultura.
Across the universe conta uma história que oscila entre “água com açúcar” e “canto da liberdade”, ou melhor, entre coca-cola e cuba libre.
Como musical, ficou devendo ao outro mais conhecido: Hair – que já não foi lá essas coisas. Como panorama histórico dos anos 60, passou longe do excelente Forrest Gump.
O cinema, enquanto arte, também pode nos ajudar a ver o mundo com outros olhos. Após assistir Across the universe posso concluir que “nada vai mudar meu mundo” (nothing's gonna change my world), se depender do filme.
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CULTURA
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Homenagem a José Saramago

José Saramago
Deixai que as palavras respirem eupnéicas
com o hálito de hortelã do povo.
Deixai que pousem na memória dos sonhos
dos carregadores de pedras das loucuras dos reis.
Deixai que possam recolher as vontades
e sua ânsia de vôo.
Deixai que empurrem os continentes
feito Hércules afastando as colunas.
Deixai que façam navegar a terra
por mares nunca dantes navegados.
Deixai que penetrem nos olhos dos cegos
e que sejam tochas na epidemia da escuridão.
Deixai que inventem os poetas
e as metamorfoses de seus rostos de esfinge.
Deixai que possam percorrer o caminho do coração
do homem perplexo entre o Bem e o Mal.
Alvas,amarelas,avermelhadas,
beleza singela e primitiva dos campos da Ibéria,
deixai que floresçam os saramagos
na língua portuguesa.
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CULTURA
O Pasquim e a banca de revistas do Gesivan

O semanário Pasquim era um dos mais aguardados no início da semana. As reservas eram disputadas, já que ninguém queria ficar sem o famoso “hebdomadário” carioca. Mas o que atraia mesmo os interessados para a banca do Gesivan era a incerteza sobre se o Pasquim seria apreendido ou não pela polícia federal.
O Pasquim, lançado em 1969, transformou-se no mais importante canal de protesto contra o regime militar. Nasceu para ser um tablóide que retrataria os costumes e comportamentos da classe média do Rio de Janeiro, mas a sua irreverência na denúncia da censura o levou a ser lido no país inteiro, chegando a uma tiragem de mais de 200 mil exemplares.
Nomes como Jaguar, Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Ziraldo, Millôr, Prósperi, Claudius, Fortuna, Ruy Castro e Fausto Wolff eram citados nos batepapos de qualquer roda de estudantes universitários. Suas entrevistas provocavam polêmicas nas mesas do Bar do Chopp e nos encontros organizados pelo anarquista/comunista/revolucionário Nô Pedroza. Foi assim que Leila Diniz, estrela de telenovela, foi revelada musa da esquerda tupiniquim.
Quando prendeu a redação do Pasquim, em novembro de 1970, a ditadura não calculou que provocaria uma onda de solidariedade, projetando ainda mais a imagem do semanário como contestador e adversário dos militares golpistas. Mesmo sem os seus editores, o Pasquim conseguiu continuar sendo publicado, graças a Millôr Fernandes (o único que não foi preso) e as colaborações de Chico Buarque, Antônio Callado, Rubem Fonseca, Odete Lara, Gláuber Rocha e de outros intelectuais e artistas.
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CIDADE
A violência que une o Carnaval à Páscoa
Além de serem duas datas móveis no calendário, separadas por 46 dias, o carnaval e a páscoa também tem em comum, surpreendentemente, a violência. Pelo menos é o que apontam os dados colhidos no Hospital Geral do Estado Professor Osvaldo Brandão Vilela, o nosso tão sofrido HGE.
Nos quatro dias do carnaval de 2010, o HGE recebeu 91 vítimas de ocorrências delituosas contra a pessoa. Foram quatro por tentativas de suicídio, 51 por lesões corporais, 16 por arma de fogo e 20 por arma branca. Os acidentes de trânsito foram responsáveis por 77 casos de atendimentos, sendo 51 motivado por colisões, 19 por atropelamento e sete por capotamento. O total dos atendidos nos dois tipos de ocorrência é de 168 pessoas.
Os números do feriadão da semana santa também são expressivos e superam os do carnaval. Foram 94 pessoas atendidas por ocorrência delituosa contra a pessoa, assim distribuídas: três por tentativa de suicídio, 43 por lesão corporal, 20 por arma de fogo e 28 por arma branca. As vítimas em acidente de trânsito somaram 121 atendimentos. Foram 19 por atropelamento, duas por capotamento, 47 por colisão e 53 por acidente de moto. Somadas as duas ocorrências temos 215 pessoas.
Que durante o carnaval aconteçam excessos que resultem em violência, até que é compreensível, já que o carnaval é uma festa que se caracteriza pela negação da ordem e é predominantemente movida a álcool. A surpresa fica com os números da semana santa, pois era de se esperar um clima de retiro, já que o período reverencia o sofrimento, morte e ressurreição de Cristo. Então, como se explica que 215 vítimas da violência foram atendidas na semana santa, enquanto que, no carnaval, esse número foi inferior?
Uma análise mais acurada vai mostrar que os acidentes de trânsito na semana santa são os responsáveis pelo maior número de vítimas. Aí está a diferença entre os dois feriadões: no carnaval há um planejamento especial dos órgãos do trânsito e de segurança, enquanto que na semana santa não há sequer campanhas educativas. Não há jejum de bebidas e nem cuidados especiais ao dirigir somente porque o feriado é cristão. É preciso atuar nesses períodos com a força máxima para impedir os excessos, mesmo que isso implique em retirar milhares de policiais da convivência com as suas famílias em um feriadão.
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CIDADE
Tucanos da Globo querem separar Dilma de Lula
Publicado em 29/03/2010 - Qualquer Instante
A imprensa tucana parece que mudou de tática para enfrentar o projeto Lula/Dilma. Perceberam que não adianta atacar o governo Lula para enfraquecer a candidatura de Dilma Roussef: Lula teimosamente permanece crescendo nos seus índices de aceitação popular. O pior para eles, é que o eleitor continua a declarar que vai votar no candidato indicado pelo presidente. Então, qual é a opção que sobra para a militância da Folha, Estadão, Globo e outros coligados? A resposta já pode ser percebida na última pesquisa Datafolha, que coloca Lula como uma quase unanimidade - o seu governo é avaliado como regular, bom e ótimo por 96% dos entrevistados -, mas aponta o crescimento de José Serra em relação à Dilma. Os números divulgados aparecem como um alento para a declinante candidatura de Serra, porque interrompe a tendência das outras pesquisas, que era de diminuição da vantagem do tucano sobre a candidatura que tem o apoio de Lula. No telejornalismo da Globo, durante o domingo (28/03), era incontida a alegria dos seus apresentadores e analistas ao divulgarem os dados da pesquisa Datafolha.
A tática adotada a partir de agora será a de separar Dilma de Lula. Como não conseguiram atingir Lula, vão aceitar a derrota que lhes foi imposta pelas ruas e redirecionar suas baterias para o lado mais fraco da dupla, que é a ministra Dilma Roussef. A imprensa demotucana vai trabalhar a ideia de que Dilma é diferente de Lula. Ela passará a ter ressaltada as características que mais a diferenciam do presidente: não é nordestina, tem formação superior e, principalmente, vem de uma militância mais ideológica e radicalizada na esquerda. O objetivo é reacender na elite conservadora os temores diante das incertezas sobre um possível governo Dilma Roussef. Outro aspecto dessa campanha partidária da grande imprensa é que ela corre contra o tempo, pois se não conseguir resultados até julho, terá que enfrentar a candidata Dilma já com acesso aos programas eleitorais gratuitos no rádio e na televisão. Aí teremos um pouco de “liberdade de imprensa” e poderemos medir se os profissionais da Globo cumpriram bem o seu papel partidário ou se, do outro lado da tela, o eleitor/telespectador está sabendo identificar que a vida real não é um Jornal Nacional nem uma Globo News.

A tática adotada a partir de agora será a de separar Dilma de Lula. Como não conseguiram atingir Lula, vão aceitar a derrota que lhes foi imposta pelas ruas e redirecionar suas baterias para o lado mais fraco da dupla, que é a ministra Dilma Roussef. A imprensa demotucana vai trabalhar a ideia de que Dilma é diferente de Lula. Ela passará a ter ressaltada as características que mais a diferenciam do presidente: não é nordestina, tem formação superior e, principalmente, vem de uma militância mais ideológica e radicalizada na esquerda. O objetivo é reacender na elite conservadora os temores diante das incertezas sobre um possível governo Dilma Roussef. Outro aspecto dessa campanha partidária da grande imprensa é que ela corre contra o tempo, pois se não conseguir resultados até julho, terá que enfrentar a candidata Dilma já com acesso aos programas eleitorais gratuitos no rádio e na televisão. Aí teremos um pouco de “liberdade de imprensa” e poderemos medir se os profissionais da Globo cumpriram bem o seu papel partidário ou se, do outro lado da tela, o eleitor/telespectador está sabendo identificar que a vida real não é um Jornal Nacional nem uma Globo News.
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POLÍTICA
Uma homenagem a Mãinha
Publicado no dia 23/03/2010 - Qualquer Instante
A Assembleia Legislativa de Alagoas realizou, na tarde desta segunda-feira (22), sessão pública para comemorar o Dia da Água, por proposta do deputado Judson Cabral. Estive lá por algum tempo para ouvir opiniões de técnicos, lideranças populares e políticas sobre a qualidade das nossas águas e o que precisa ser feito para que os nossos recursos hídricos sejam utilizados adequadamente. O ponto em comum entre os debatedores foi a constatação que muito precisa ser feito, principalmente na capital, para que não soframos brevemente um colapso no abastecimento d’água.
A pesar da importância do tema, terminei tendo a atenção desviada para os estudantes da Escola Estadual Maria Ivone, que lá estavam em grande número. Os jovens demonstravam que estavam acompanhando a discussão e entendendo os problemas do tema, apesar do tecnicismo de algumas intervenções. Fiquei a pensar como ficaria orgulhosa, se ali estivesse, a mulher que emprestou o seu nome àquela escola, Maria Ivone Santos de Oliveira, ou Mãinha, como nós a chamávamos carinhosamente. Fui companheiro de militância da Mãinha no PCdoB durante muitos anos e acompanhei de perto o seu esforço e dedicação à juventude, principalmente por trabalhar profissionalmente na área da educação. Uma batalhadora, até quando teve que enfrentar, nos seus últimos dias, uma doença traiçoeira.
Pois, na tarde desta segunda-feira, lá estavam os jovens estudantes do Conjunto Inocoop, sentados nas poltronas dos deputados ouvindo atentamente o debate sobre o futuro das nossas águas, ostentando orgulhosamente no peito o brasão da escola da Mãinha. São momentos como estes que nos fazem manter vivo o compromisso com a luta por um mundo melhor, também como forma de homenagear os que dedicaram uma vida inteira a uma causa tão nobre.
A Assembleia Legislativa de Alagoas realizou, na tarde desta segunda-feira (22), sessão pública para comemorar o Dia da Água, por proposta do deputado Judson Cabral. Estive lá por algum tempo para ouvir opiniões de técnicos, lideranças populares e políticas sobre a qualidade das nossas águas e o que precisa ser feito para que os nossos recursos hídricos sejam utilizados adequadamente. O ponto em comum entre os debatedores foi a constatação que muito precisa ser feito, principalmente na capital, para que não soframos brevemente um colapso no abastecimento d’água.
A pesar da importância do tema, terminei tendo a atenção desviada para os estudantes da Escola Estadual Maria Ivone, que lá estavam em grande número. Os jovens demonstravam que estavam acompanhando a discussão e entendendo os problemas do tema, apesar do tecnicismo de algumas intervenções. Fiquei a pensar como ficaria orgulhosa, se ali estivesse, a mulher que emprestou o seu nome àquela escola, Maria Ivone Santos de Oliveira, ou Mãinha, como nós a chamávamos carinhosamente. Fui companheiro de militância da Mãinha no PCdoB durante muitos anos e acompanhei de perto o seu esforço e dedicação à juventude, principalmente por trabalhar profissionalmente na área da educação. Uma batalhadora, até quando teve que enfrentar, nos seus últimos dias, uma doença traiçoeira.
Pois, na tarde desta segunda-feira, lá estavam os jovens estudantes do Conjunto Inocoop, sentados nas poltronas dos deputados ouvindo atentamente o debate sobre o futuro das nossas águas, ostentando orgulhosamente no peito o brasão da escola da Mãinha. São momentos como estes que nos fazem manter vivo o compromisso com a luta por um mundo melhor, também como forma de homenagear os que dedicaram uma vida inteira a uma causa tão nobre.
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CIDADE
Igreja, pedofilia e perdão
Publicado em 15/03/2010 - Qualquer Instante
Após o escândalo envolvendo a Igreja Católica em mais um caso de pedofilia, o bispo da diocese de Penedo (AL), Dom Valério Brêda, suspendeu das atividades religiosas os três padres denunciados: monsenhor Luiz Marques, monsenhor Raimundo e Edílson Duarte. Vamos aguardar, agora, qual será a atitude da cúpula da Igreja em Alagoas diante desse novo caso de abuso sexual de crianças. Independente da posição que a igreja católica venha a tomar, cabe questionar o porquê de tanta reincidência desse tipo de crime. Para se ter uma ideia da relação entre padres e crimes de abuso sexual, hoje existem dez padres na cadeia e 40 fugindo para não serem atingidos pelos mandatos de prisão.
Na reportagem da revista Istoé, de novembro do ano passado, há uma pista de como agem os religiosos para abusarem das crianças. Em Agudos, São Paulo,o padre Tarcísio Tadeu Sprícigo - que cumpre pena de 15 anos por violentar um menor de cinco anos - deixou anotado em um diário o modo como agia: “Apresentar-se sempre como dominador. Ser carinhoso e não ser apressado. Nunca fazer perguntas, mas ter certezas. Conseguir garotos seguros e carentes, que não tenham pai e que sejam pobres. Jamais se envolver com garotos riquinhos”.
Se servir de consolo para alguém, esse problema não atinge somente à Igreja no Brasil. Na sexta-feira passada (12/03), segundo a agência Reuters, o chefe da Igreja Católica da Alemanha, arcebispo Robert Zollitsch, pediu desculpas às vítimas de abuso infantil cometido por padres. Surgiram no país mais de 100 relatos de abusos em instituições católicas, incluindo uma ligada ao prestigioso coral de Regensburg, regido pelo irmão do papa entre 1964 e 1994.
Em 2003, em Boston, o promotor-geral do Estado americano de Massachusetts, Tom Reilly, denunciou o cardeal John Geoghan por ter estuprado mais de 130 crianças em trinta anos. Ele foi sentenciado a dez anos de cadeia. Mas ele não estava só: a própria arquidiocese reconheceu o testemunho das 789 vítimas, que acusavam 237 sacerdotes da região.
Na Austrália, em 2008, o grupo Broken Rites, que representa as vítimas de abuso, divulgou uma relação de 107 condenações de abuso sexual na Igreja, mas diz que o número verdadeiro de casos é ainda maior, já que poucos levam a questão ao tribunal. A Igreja Católica na Austrália pediu desculpas pelo último caso e ofereceu compensação.
Pedir desculpas e perdão tem sido, aliás, uma marca da Igreja Católica. Por ocasião das comemorações dos 500 anos do descobrimento, em 2000, a cúpula da Igreja no Brasil pediu perdão aos índios e negros, vítimas do violento processo de colonização do país, e que contou com a participação ou silêncio da Igreja.
O papa João Paulo II também pediu perdão aos judeus pelos erros da Igreja durante a Segunda Guerra Mundial, que calou diante do massacre nazista. Pediu perdão também pelas agressões das Cruzadas e torturas da Inquisição durante a Idade Média. Os índios americanos também foram alvos do pedido de perdão do Papa, que reconheceu os massacres no processo de expansão da fé católica no continente.
Uma história, antiga e recente, recheada de pedidos de perdão, não é o melhor cartão de visitas de quem se propõe a liderar a vida espiritual de milhões. Está na hora de abordar o problema com mais profundidade para se evitar que essa sequência de crimes atinja ainda mais a imagem da Igreja.
Após o escândalo envolvendo a Igreja Católica em mais um caso de pedofilia, o bispo da diocese de Penedo (AL), Dom Valério Brêda, suspendeu das atividades religiosas os três padres denunciados: monsenhor Luiz Marques, monsenhor Raimundo e Edílson Duarte. Vamos aguardar, agora, qual será a atitude da cúpula da Igreja em Alagoas diante desse novo caso de abuso sexual de crianças. Independente da posição que a igreja católica venha a tomar, cabe questionar o porquê de tanta reincidência desse tipo de crime. Para se ter uma ideia da relação entre padres e crimes de abuso sexual, hoje existem dez padres na cadeia e 40 fugindo para não serem atingidos pelos mandatos de prisão.
Na reportagem da revista Istoé, de novembro do ano passado, há uma pista de como agem os religiosos para abusarem das crianças. Em Agudos, São Paulo,o padre Tarcísio Tadeu Sprícigo - que cumpre pena de 15 anos por violentar um menor de cinco anos - deixou anotado em um diário o modo como agia: “Apresentar-se sempre como dominador. Ser carinhoso e não ser apressado. Nunca fazer perguntas, mas ter certezas. Conseguir garotos seguros e carentes, que não tenham pai e que sejam pobres. Jamais se envolver com garotos riquinhos”.
Se servir de consolo para alguém, esse problema não atinge somente à Igreja no Brasil. Na sexta-feira passada (12/03), segundo a agência Reuters, o chefe da Igreja Católica da Alemanha, arcebispo Robert Zollitsch, pediu desculpas às vítimas de abuso infantil cometido por padres. Surgiram no país mais de 100 relatos de abusos em instituições católicas, incluindo uma ligada ao prestigioso coral de Regensburg, regido pelo irmão do papa entre 1964 e 1994.
Em 2003, em Boston, o promotor-geral do Estado americano de Massachusetts, Tom Reilly, denunciou o cardeal John Geoghan por ter estuprado mais de 130 crianças em trinta anos. Ele foi sentenciado a dez anos de cadeia. Mas ele não estava só: a própria arquidiocese reconheceu o testemunho das 789 vítimas, que acusavam 237 sacerdotes da região.
Na Austrália, em 2008, o grupo Broken Rites, que representa as vítimas de abuso, divulgou uma relação de 107 condenações de abuso sexual na Igreja, mas diz que o número verdadeiro de casos é ainda maior, já que poucos levam a questão ao tribunal. A Igreja Católica na Austrália pediu desculpas pelo último caso e ofereceu compensação.
Pedir desculpas e perdão tem sido, aliás, uma marca da Igreja Católica. Por ocasião das comemorações dos 500 anos do descobrimento, em 2000, a cúpula da Igreja no Brasil pediu perdão aos índios e negros, vítimas do violento processo de colonização do país, e que contou com a participação ou silêncio da Igreja.
O papa João Paulo II também pediu perdão aos judeus pelos erros da Igreja durante a Segunda Guerra Mundial, que calou diante do massacre nazista. Pediu perdão também pelas agressões das Cruzadas e torturas da Inquisição durante a Idade Média. Os índios americanos também foram alvos do pedido de perdão do Papa, que reconheceu os massacres no processo de expansão da fé católica no continente.
Uma história, antiga e recente, recheada de pedidos de perdão, não é o melhor cartão de visitas de quem se propõe a liderar a vida espiritual de milhões. Está na hora de abordar o problema com mais profundidade para se evitar que essa sequência de crimes atinja ainda mais a imagem da Igreja.
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GERAL
Carteirada: a autoridade acima da lei
Publicado no dia 12/03/2010 - Qualquer Instante
Confesso que não esperava a repercussão que teve essa história da carteirada no Centerplex. Talvez o fato tenha ganho essa dimensão nacional porque envolveu a prisão de uma gerente do empreendimento. Outra possibilidade a ser levada em consideração pode ser atribuida a atitude da cúpula da Polícia Civil, que tratou afobadamente de encontrar uma “autorização” legal do Gecoc para o uso indevido da autoridade policial, provocando desmentidos do Ministério Público. Por qualquer das razões, Alagoas está de volta ao noticiário nacional por motivos policiais.
O pior é ter que ouvir a justificativa dos policiais, que estavam no cinema em missão secreta para prender traficantes. Imagine quatro agentes, procurando esconder suas identidades dos bandidos; chegam à portaria do Centerplex e exibem as carteiras de... POLICIAIS!
Pelo menos, podemos extrair alguma coisa de positivo no episódio: está aberta a discussão sobre a prática da “carteirada”, uma aberração que tem provocado situações vexatórias. Quem trabalha com eventos em Maceió, sabe o que é ter que suportar, dependendo do show, uma verdadeira invasão de autoridades e familiares, todos no exercício da profissão. Já foram várias as tentativas de impedir que isso ocorra. Em meados dos anos 90, no auge dos shows de axé no Ginásio do Sesi, um empresário procurou o Comando da Polícia Militar para denunciar o expressivo número de “carteiradas” que a tropa praticava em seus eventos. O coronel achou que o empresário estava exagerando e não deu ouvidos. A solução foi filmar o movimento na catraca, que comprovou a denúncia: 15% dos presentes ao espetáculo escolhido para ser observado, ali estavam por força de uma “carteirada”.
Sei que há uma reunião marcada entre produtores de eventos e deputados para discutir o assunto. Tomara que a mobilização dos empresários conte com o apoio do Ministério Público e da Assembleia para que o exercício da autoridade tenha limites e que sejam normatizados em lei.
Confesso que não esperava a repercussão que teve essa história da carteirada no Centerplex. Talvez o fato tenha ganho essa dimensão nacional porque envolveu a prisão de uma gerente do empreendimento. Outra possibilidade a ser levada em consideração pode ser atribuida a atitude da cúpula da Polícia Civil, que tratou afobadamente de encontrar uma “autorização” legal do Gecoc para o uso indevido da autoridade policial, provocando desmentidos do Ministério Público. Por qualquer das razões, Alagoas está de volta ao noticiário nacional por motivos policiais.
O pior é ter que ouvir a justificativa dos policiais, que estavam no cinema em missão secreta para prender traficantes. Imagine quatro agentes, procurando esconder suas identidades dos bandidos; chegam à portaria do Centerplex e exibem as carteiras de... POLICIAIS!
Pelo menos, podemos extrair alguma coisa de positivo no episódio: está aberta a discussão sobre a prática da “carteirada”, uma aberração que tem provocado situações vexatórias. Quem trabalha com eventos em Maceió, sabe o que é ter que suportar, dependendo do show, uma verdadeira invasão de autoridades e familiares, todos no exercício da profissão. Já foram várias as tentativas de impedir que isso ocorra. Em meados dos anos 90, no auge dos shows de axé no Ginásio do Sesi, um empresário procurou o Comando da Polícia Militar para denunciar o expressivo número de “carteiradas” que a tropa praticava em seus eventos. O coronel achou que o empresário estava exagerando e não deu ouvidos. A solução foi filmar o movimento na catraca, que comprovou a denúncia: 15% dos presentes ao espetáculo escolhido para ser observado, ali estavam por força de uma “carteirada”.
Sei que há uma reunião marcada entre produtores de eventos e deputados para discutir o assunto. Tomara que a mobilização dos empresários conte com o apoio do Ministério Público e da Assembleia para que o exercício da autoridade tenha limites e que sejam normatizados em lei.
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GERAL
Quem vai “casar” com Heloisa Helena?
Publicado em 8/3/2010 - Qualquer Instante
A indicação de Ronaldo Lessa para disputar o governo de Alagoas, vai confirmando que a oposição se articula priorizando a reeleição do senador Renan Calheiros. É o projeto nacional falando mais alto: em Brasília Renan é peça chave na aliança PMDB/PT. Assim sendo, a candidatura de Lessa cumpre bem esse papel, pois - além de limpar o caminho do senado para Renan - tem um discurso mais afinado com a candidatura de Dilma Roussef à presidência da república. Para alguns analistas, o lançamento de Lessa também serviria para neutralizar possíveis interesses de Fernando Collor em disputar o governo estadual.
Mesmo considerando que na disputa para o governo o jogo ainda não acabou, Renan deverá, agora, direcionar suas articulações políticas para resolver outro obstáculo na sua caminhada à reeleição. A questão é que a disputa para o senado oferece duas vagas, e o eleitor votará duas vezes. Como as pesquisas têm apontado que a vereadora Heloisa Helena se elegerá com votação expressiva, Renan Calheiros dorme e acorda imaginando para onde irá o segundo voto do eleitor de HH. Um candidato que construa um discurso identificado com o da candidata do PSOL, poderá se habilitar à segunda vaga, ou, no mínimo, criar dificuldades para a reeleição de Renan. Para o senador do PMDB, não interessa que Heloisa Helena encontre um bom parceiro para casar os votos, como, por exemplo, o delegado federal Pinto de Luna (PT), que é hoje um dos “noivos” mais atirado. Se não conseguir impedir a “dobradinha”, Renan pode adotar outro caminho, que seria o de incentivar vários candidatos com o mesmo perfil, pulverizando o segundo voto de HH.
Outro problema que Renan tem para resolver é o do seu parceiro de chapa, Benedito de Lira (PP), que vem olhando com bons olhos a possibilidade de trocar a sua candidatura de senador pela de vice-governador de Theo Vilela. Se isso acontecer, até o segundo voto de Renan Calheiros vai embora. Aí, abre-se outra vaga para noivado.
A indicação de Ronaldo Lessa para disputar o governo de Alagoas, vai confirmando que a oposição se articula priorizando a reeleição do senador Renan Calheiros. É o projeto nacional falando mais alto: em Brasília Renan é peça chave na aliança PMDB/PT. Assim sendo, a candidatura de Lessa cumpre bem esse papel, pois - além de limpar o caminho do senado para Renan - tem um discurso mais afinado com a candidatura de Dilma Roussef à presidência da república. Para alguns analistas, o lançamento de Lessa também serviria para neutralizar possíveis interesses de Fernando Collor em disputar o governo estadual.
Mesmo considerando que na disputa para o governo o jogo ainda não acabou, Renan deverá, agora, direcionar suas articulações políticas para resolver outro obstáculo na sua caminhada à reeleição. A questão é que a disputa para o senado oferece duas vagas, e o eleitor votará duas vezes. Como as pesquisas têm apontado que a vereadora Heloisa Helena se elegerá com votação expressiva, Renan Calheiros dorme e acorda imaginando para onde irá o segundo voto do eleitor de HH. Um candidato que construa um discurso identificado com o da candidata do PSOL, poderá se habilitar à segunda vaga, ou, no mínimo, criar dificuldades para a reeleição de Renan. Para o senador do PMDB, não interessa que Heloisa Helena encontre um bom parceiro para casar os votos, como, por exemplo, o delegado federal Pinto de Luna (PT), que é hoje um dos “noivos” mais atirado. Se não conseguir impedir a “dobradinha”, Renan pode adotar outro caminho, que seria o de incentivar vários candidatos com o mesmo perfil, pulverizando o segundo voto de HH.
Outro problema que Renan tem para resolver é o do seu parceiro de chapa, Benedito de Lira (PP), que vem olhando com bons olhos a possibilidade de trocar a sua candidatura de senador pela de vice-governador de Theo Vilela. Se isso acontecer, até o segundo voto de Renan Calheiros vai embora. Aí, abre-se outra vaga para noivado.
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POLÍTICA
Ufal e presídios: uma longa convivência
Publicado em 06 de março de 2010 no site Qualquer Instante
Nem tudo numa cidade pode ser pensado ou planejado para que se evite totalmente a convivência de equipamentos urbanos conflitantes. É só ver os problemas dos lixões, que não podem ser tão longe - para que não encareçam os seus custos -, e nem tão perto que incomode com o mau cheiro e moscas. Assim aconteceu com a Maceió dos anos 60, enfrentando os primeiros problemas de um crescimento mais acelerado, entretanto administrada por gestores com pouca experiência e domínio técnico para pensar a cidade a longo prazo. Foi essa visão limitada que determinou o deslocamento das casas de prostituição de Jaraguá para o “distante” bairro do Canaã. Em 1965, fecharam o velho presídio da Praça da Cadeia, no Centro de Maceió, e transferiram os seus ocupantes para o recém inaugurado presídio São Leonardo, situado na então Zona Rural de Maceió, quase em Rio Largo. A Universidade Federal de Alagoas, criada em1961, cobrava o seu campus e o reitor Aristóteles Calazans Simões, após muita insistência, conseguiu iniciar, em 1966, a construção da Cidade Universitária, coincidentemente, em terreno vizinho ao presídio São Leonardo.
Não acredito que, na década de 60, alguém tenha previsto os problemas das superlotações e fugas dos presídios, a ponto de ter chamado a atenção para a diferença existente entre educar alunos e reeducar presos. Independente das limitações do passado, esse problema afeta hoje seriamente o cotidiano da Cidade Universitária.
Pois é, hoje, já há conhecimento e experiência suficientemente acumulados para se evitar que erros como esses aconteçam. No entanto, em Arapiraca, a situação se repetiu. Em 2002 foi inaugurado o presídio de Segurança Média "Desembargador Luis de Oliveira Sousa", e em 2006, a Ufal, inaugura, ao lado do presídio, o seu campus. O primeiro problema já aconteceu esta semana, com a fuga de cinco presos e muito pânico entre os estudantes, professores e funcionários da Ufal. A pergunta que fica é: por quê errar duas vezes?
Nem tudo numa cidade pode ser pensado ou planejado para que se evite totalmente a convivência de equipamentos urbanos conflitantes. É só ver os problemas dos lixões, que não podem ser tão longe - para que não encareçam os seus custos -, e nem tão perto que incomode com o mau cheiro e moscas. Assim aconteceu com a Maceió dos anos 60, enfrentando os primeiros problemas de um crescimento mais acelerado, entretanto administrada por gestores com pouca experiência e domínio técnico para pensar a cidade a longo prazo. Foi essa visão limitada que determinou o deslocamento das casas de prostituição de Jaraguá para o “distante” bairro do Canaã. Em 1965, fecharam o velho presídio da Praça da Cadeia, no Centro de Maceió, e transferiram os seus ocupantes para o recém inaugurado presídio São Leonardo, situado na então Zona Rural de Maceió, quase em Rio Largo. A Universidade Federal de Alagoas, criada em1961, cobrava o seu campus e o reitor Aristóteles Calazans Simões, após muita insistência, conseguiu iniciar, em 1966, a construção da Cidade Universitária, coincidentemente, em terreno vizinho ao presídio São Leonardo.
Não acredito que, na década de 60, alguém tenha previsto os problemas das superlotações e fugas dos presídios, a ponto de ter chamado a atenção para a diferença existente entre educar alunos e reeducar presos. Independente das limitações do passado, esse problema afeta hoje seriamente o cotidiano da Cidade Universitária.
Pois é, hoje, já há conhecimento e experiência suficientemente acumulados para se evitar que erros como esses aconteçam. No entanto, em Arapiraca, a situação se repetiu. Em 2002 foi inaugurado o presídio de Segurança Média "Desembargador Luis de Oliveira Sousa", e em 2006, a Ufal, inaugura, ao lado do presídio, o seu campus. O primeiro problema já aconteceu esta semana, com a fuga de cinco presos e muito pânico entre os estudantes, professores e funcionários da Ufal. A pergunta que fica é: por quê errar duas vezes?
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O vice de Theo
Publicado no dia 05 de março de 2010 no site Qualquer Instante
O governador de Alagoas, Theo Vilela (PSDB), está prestes a colher os primeiros frutos da sua paciente estratégia eleitoral. Com a retirada da candidatura de Cícero Almeida - o candidato mais temido pelo governador por sua boa situação nas pesquisas -, crescem as possibilidades de reeleição do tucano. Essa situação gera um enorme potencial de atração de novas forças políticas em direção as hostes governamentais, que observam com olhares de gula o espaço vago de vice-governador de Vilela.
O que há de tão atrativo em um cargo, que muitas vezes é menosprezado nas composições políticas? Essa jóia da coroa tucana tem maior valor, porque Vilela, caso eleito, cumprirá o seu último mandato e deverá ser candidato ao senado em 2014, sendo forçado a se afastar do governo em abril daquele ano. O vice terá, então, seis meses para governar e preparar a sua própria reeleição.
O deputado federal Benedito de Lira (PP), percebendo que se reduzem a cada dia mais as suas chances de ocupar uma das cadeiras do senado, vê com bons olhos a possibilidade de dividir espaços no projeto tucano. O primeiro sinal de fumaça de que um acordo pode estar em andamento é a anunciada ausência do parlamentar no ato de confirmação da candidatura de Ronaldo Lessa (PDT). A dúvida é se prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), segue o líder do seu partido ou fica com Lessa a pedido de João Lira, seu amigo do peito. Tomara que Deus não seja chamado para ajudar a resolver problemas dessa ordem.
O governador de Alagoas, Theo Vilela (PSDB), está prestes a colher os primeiros frutos da sua paciente estratégia eleitoral. Com a retirada da candidatura de Cícero Almeida - o candidato mais temido pelo governador por sua boa situação nas pesquisas -, crescem as possibilidades de reeleição do tucano. Essa situação gera um enorme potencial de atração de novas forças políticas em direção as hostes governamentais, que observam com olhares de gula o espaço vago de vice-governador de Vilela.
O que há de tão atrativo em um cargo, que muitas vezes é menosprezado nas composições políticas? Essa jóia da coroa tucana tem maior valor, porque Vilela, caso eleito, cumprirá o seu último mandato e deverá ser candidato ao senado em 2014, sendo forçado a se afastar do governo em abril daquele ano. O vice terá, então, seis meses para governar e preparar a sua própria reeleição.
O deputado federal Benedito de Lira (PP), percebendo que se reduzem a cada dia mais as suas chances de ocupar uma das cadeiras do senado, vê com bons olhos a possibilidade de dividir espaços no projeto tucano. O primeiro sinal de fumaça de que um acordo pode estar em andamento é a anunciada ausência do parlamentar no ato de confirmação da candidatura de Ronaldo Lessa (PDT). A dúvida é se prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), segue o líder do seu partido ou fica com Lessa a pedido de João Lira, seu amigo do peito. Tomara que Deus não seja chamado para ajudar a resolver problemas dessa ordem.
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segunda-feira, 8 de março de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Projeto nacional decide candidaturas em Alagoas
As articulações para a formação dos campos políticos que se enfrentarão em outubro na disputa pelo poder em Alagoas permitem, ao observador mais atento, compreender quanto é complexa a política. Uma verdadeira partida de xadrez está sendo jogada com o abusivo recurso da paciência. Senão vejamos:

Avalio que a política nacional vai impor seus interesses aos da província. Lula sabe que Renan é um aliado importante na costura política para eleger Dilma Roussef. Calheiros tem sido uma figura fundamental tanto na articulação do apoio do poder legislativo ao governo Lula, quanto na condução do vacilante PMDB em direção a aliança com o PT. Se a prioridade é eleger Dilma, vai ficando claro que Renan e a sua candidatura à reeleição adquirem um peso nacional. Assim, a candidatura de Ronaldo Lessa vai se firmando como a solução para os interesses da maioria dos partidos do Chapão. Ao prefeito Cícero Almeida cabe tentar convencer Benedito de Lira a deixar o PP lançá-lo de qualquer jeito numa arriscada disputa pelo governo, ou optar por apoiar Lessa em troca de “juros e dividendos” políticos no futuro.
Teo Vilela, friamente, aguarda do outro lado que aconteçam rupturas, ou mesmo fissuras, no Chapão para iniciar uma operação rescaldo. Ele acredita que ainda pode contar com apoios explícitos ou velados ao seu projeto.
Como se vê, é um intrigante jogo de xadrez em andamento. Mas como até paciência tem limite, o prazo para desincompatibilização do prefeito é três de abril, data em que saberemos que jogo Cícero Almeida vai jogar.
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