segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O cine Lux e um estúpido pastor universal

Nesta segunda-feira, 28 de janeiro, cumpri um compromisso com a maior satisfação. Convidado pelos profissionais da TV Educativa para falar sobre os antigos cinemas de Maceió, particularmente sobre o Cine Lux, desloquei-me até à Rua Santo Antônio, no bairro da Ponta Grossa. 


Quando lá cheguei, a equipe já estava fazendo algumas tomadas da fachada do antigo cinema e solicitou-me a ajuda para ver se conseguíamos a autorização da Igreja Universal - proprietária do prédio - para captar imagens do seu interior. 


Fomos até ao templo da fé e falamos com uma senhora que estava à porta. Ela nos disse que teria que consultar o pastor. Enquanto aguardávamos a resposta, do outro lado da rua, iniciamos a entrevista. 


Não demorou muito e fomos interrompidos, de forma ríspida, por um cidadão que se identificou como pastor e determinou que parássemos a gravação da fachada da Igreja Universal, pois ele não havia autorizado. 


Argumentamos que ele não podia exigir isso, pois estávamos em via pública e a fachada podia ser vista por qualquer um. O representante divino não considerou o nosso argumento e o da equipe e nos ameaçou: "se vocês continuarem, vão se arrepender". 


Continuamos e não nos arrependemos. Valeu a pena mover, maometanicamente, aquela montanha de ignorância e desrespeito.

Sinceramente, tenho como determinação na minha vida professar o mais profundo respeito por todas as religiões, mas não posso entender o que acontece com uma igreja que teme ter a sua fachada filmada. 
Fica sempre a interrogação: o que se pretende esconder? Concordo que não se permita que fotografe o seu interior. Mas a fachada... 


Que mistério envolve as altas paredes que outrora anunciaram "Dio, come ti amo" (Deus, como te amo) de Domenico Modugno, na interpretação de Gigliola Cinquette. Será que os espíritos do "Galego dos Gibis" ou do "Torreirinho" e seu cachorro-quente ainda perambulam por sua calçada incomodando os pastores. Pode ser que os eflúvios do já falecido Moacir Miranda - idealizador e construtor do cinema - ao chegar de um carteado em que quase perdeu o Lux, maculem a pureza da fé dos seus ocupantes de hoje.


Como fui morador do bairro por mais de 30 anos, fiquei triste com o fechamento do Cine Lux. Hoje, fiquei mais triste ainda por saber que o prédio que deu guarida a tantas fantasias, guarda somente a arrogância de um estúpido pastor. Espero que a postura dele não reflita a posição da sua igreja.

3 comentários:

Edberto Ticianeli disse...

parabéns pela reportagem, revoltante pela estupidez do "pastor" e de grande satisfação
para quem alcançou, como eu, o lux e os eternos "10 mandamentos" e "dio come ti
amo". embora "plaza"( vizinho de cinco casas), ia muito ao lux.
obrigado.
chico.

Revista do Ed disse...

Olha, sinceramente vejo aqui que o artigo esta por demais atrazado, mas ainda assim o assunto é atual!

Não conheço o Cine Lux e pouco conheço de Maceió, apesar de ter cruzado várias vezes PE/AL. Mas, sinceramente fico puto (desculpe opalavrão) de raiva ao ver tantos antigos cinemas, transformados em igrejas. Principalmente tomadas estes pela Igreja Universal do Reino do Edir Macedo (não acho que Deus tenha nada a ver com isso). Em minha cidade natal, Barreiros-PE, o cinema que era a paixão do então falecido Pedro Sanguinete, foi cedido por seu filho, apos sua morte, para os cultos de mais uma das IURDs espalhadas pelo mundo, e lá também!

Chamem a isso de fé! Eu porém, tenho cá minhas dúvidas!

Um forte abraço e o desejo de muita paz, sempre!

Carlos Holanda disse...

Ao postar um tópico no Facebook sobre um show que assisti há muito no Cine Lux, me bateu uma nostalgia e resolvi pesquisar no Google e, para minha surpresa, o primeiro link foi para este blog do meu amigo Ticianeli. Minha surpresa maior foi encontrar um relato sobre a arrogância de uma besta que se diz pastor. Digo sempre isso, preferia ver o prédio do antigo Lux no chão, aos escombros, do que vê-lo servir para a exploração da fé alheia, dos incautos.