sábado, 19 de janeiro de 2008

A Banda Podre

Já houve uma época em que o candidato, ao comprar o voto do eleitor, dava um dos pés do sapato e aguardava o resultado da eleição para dar o outro. Hoje, com o desenvolvimento tecnológico, usa-se o celular para fotografar ou filmar o ato do voto e, assim, confirmar que o eleitor não "traiu" o compromisso, normalmente assumido após o convencimento "ideológico" promovido por uma nota de 50 reais. Mecanismos de controle a parte, é preciso definir claramente que esse negócio só próspera, porque as punições ainda não amedrontam os seus praticantes, apesar de algumas cassações. Quando me refiro aos praticantes, incluo o vendedor de votos, também. Quem vende o voto, por mais que algumas digressões da sociologia política tentem amenizar esse crime, é tão culpado quanto quem compra; e os poderes, que poderiam impedir essa prática e não o fazem, são mais responsáveis ainda.
Mas nem tudo está perdido. A imprensa alagoana informa, com destaque, a reunião realizada entre o TRE e Polícia Federal para discutir o combate à compra de votos. Não será difícil identificar os agentes desta prática. São centenas de organizadores de cadastros espalhados pelas comunidades mais carentes. Se o serviço de inteligência da PF atuar com rigidez, cumprirá um papel importantíssimo nas próximas eleições. Aliás, a prática da Polícia Federal nas operações recentemente realizadas, trouxe muita credibilidade para a corporação, aumentando a expectativa quanto as suas ações.
Mas o que chama mesmo a atenção dos leram os jornais neste sábado, 19 de janeiro, foi a declaração do desembargador-presidente do TRE, Antônio Sapucaia, que afirmou "Temos consciência que não é fácil fiscalizar, evitar e punir os políticos que compram votos. Esse tipo de ação é facilitada por alguns fatores graves, entre eles a participação de integrantes da banda podre do Poder Judiciário, e dos órgãos que têm responsabilidade de fiscalizar e combater ações ilegais". (Gazeta de Alagoas, 19/01, declarações dadas ao repórter Gilvan Ferreira).
O desembargador Antônio Sapucaia tem autoridade e integridade para fazer uma afirmação como essa. Acredito essas declarações provoquem desdobramentos. Tomara que os atingidos pela constatação e os "joios" que queiram ser separados desse "trigo", criem uma polêmica que termine por determinar quem é a BANDA PODRE. Aliás, em clima de carnaval, seria um bom nome para uma troça: A Banda Podre.

Um comentário:

Olivia disse...

Parabéns pelo teu blog. Já coloquei um link de acesso no http://oc-cerqueira.zip.net para que meus leitores também tenham acesso. Fica com Deus. bjs