segunda-feira, 9 de junho de 2008

Eleições municipais federalizadas

Qualquer alagoano de bom senso sabe reconhecer a importância para o nosso estado das ações do governo federal. O deputado Judson Cabral (PT), em recente pronunciamento na Assembléia Legislativa, destacou alguns números dos investimentos executados o ano passado em Alagoas. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o programa Bolsa Família recebeu R$ 27,5 milhões para atender cerca de 354 mil famílias. O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) foi atendido com R$ 6,2 milhões, que beneficiaram no ano passado a 35 mil crianças. Ainda no ano de 2007, os recursos destinados a idosos e pessoas com deficiência chegaram a R$ 278,8 milhões. Com o anúncio dos investimentos do PAC, Alagoas passou a ser um dos estados, proporcionalmente, mais beneficiados do Brasil com verbas federais.

Não é difícil compreender que, em um estado pobre como o nosso, interessa muito ao eleitor identificar que projetos políticos estarão em disputa este ano.

O que vai estar em julgamento não são somente aspectos éticos e gerenciais da política -- apesar de que se isso acontecesse, já seria um grande passo para nos livrarmos de entraves importantes para o desenvolvimento do nosso estado --; o eleitor, ao final das contas, estará escolhendo entre o fortalecimento de uma proposta política baseada em um estado fortemente indutor de um desenvolvimento com distribuição de renda, ou mergulhará nas questões paroquiais e correrá o risco de permitir o retorno do projeto neoliberal e seus vendilhões do patrimônio público, devidamente maquiados por uma aparente capacidade realizadora de obras.

São eleições municipais, mas o que está em jogo é o futuro de um país que abriga uma Alagoas pobre e ainda, infelizmente, dependente das ações do governo federal. Enquanto perdurar este quadro, qualquer eleição por aqui é federalizada.

2 comentários:

Gilson Monteiro disse...

Apenas um questionamento aos que "fazem" Alagoas. Subtraindo esses números (R$ 27,5 milhões do bolsa família, R$ 6,2 milhões do PETI, e bR$ 278,8 milhões para idosos e pessoas com deficiência), o que foi feito de fato para os alagoanos pelos que comandam o Estado???

Carlos Holanda disse...

Talvez o estado de Alagoas seja um dos estados, proporcionalmente, mas beneficiados com verbas federais. Mas toda essa verba vem em forma de doações para famílias de baixa renda, como não se pede nada em troca, estamos formando uma legião de incapazes, viciados em esmola. O que o governo federal vem fazendo em termos de infra-estrutura para modernizar o estado, dar condições para que o cidadão caminhe com as próprias pernas e não fique esperando o Bolsa-Família, ou Bolsa-Esmola, como preferem alguns? Em Pernambuco se investe em duplicação de estradas, implantação de refinarias, pólos industriais nas principais cidades, etc... Em outros estados é a mesma coisa. Na Gazeta deste domingo falam em refinarias nos estados do Ceará e Maranhão. Investimentos de bilhões de dólares. Em Alagoas o governo doa 312,5 milhões de reais e não faz nenhum investimento efetivo para que o Estado deixe de ser cada vez mais subserviente ao governo federal.

Isso é fazer algo pelo Estado? Para mim, não é. É perpetuar a miséria e o atraso em Alagoas.