segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Tráfico é negócio para milionários

O traficante fuzilado, Marco Archer, conta que os 15 kg de cocaína que ele conduzia quando foi preso tinham sido comprados no Peru por 8 mil dólares e iria lhe permitir faturar 3,5 milhões dólares em Bali.

Essa imensa “margem de lucro” pode explicar as dificuldades no combate ao tráfico e a razão da participação de gente graúda no negócio.

Todo mundo lembra do episódio da apreensão do helicóptero da Limeira Agropecuária, empresa do deputado estadual por Minas Gerais Gustavo Perrella (Solidariedade), filho do senador e ex-presidente do Cruzeiro Zezé Perrella (PDT-MG).

Esta operação de tráfico trazia para o Brasil 450 kg de cocaína.

Pelos valores de compra e venda relatados por Marco Archer, podemos dizer que os 450 kg foram comprados por 2,4 milhões de dólares e seriam vendidos por 1,05 bilhão de dólares. Um lucro de 998,1 milhões de dólares.

Nem banqueiro ganha tanto. É um dos negócios mais rentáveis do mundo.

Agora fica fácil saber que comanda o tráfico no Brasil. É só investigar quem tem 2,4 milhões de dólares e um avião ou helicóptero para comprar drogas no exterior.

Por falar nisso, como anda o inquérito do helicóptero? A última notícia é de abril de 2014, antes das eleições, quando a Justiça Federal libertou todos os envolvidos que estavam detidos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Getúlio Vargas era ateu

É verdade. Um dos mais importantes presidentes do país, além de se declarar um devotado seguidor do positivismo de Auguste Comte, também deixou registrado as suas insatisfações com o cristianismo.

Para quem duvida, recomendo ler os três robustos volumes da obra biográfica Getúlio, de Lira Neto. Lançada em 2012 pela Companhia das Letras, a coleção já está na 9ª reimpressão.

Em 4 de março de 1911, ao casar com Darcy Sarmanho, então com 15 anos, Getúlio Vargas escolhe o cartório, fugindo do casamento religioso.

O autor da biografia revela que Getúlio tinha como livro de cabeceira o explosivo, para a época, Jesus Cristo nunca existiu, do italiano Emilio Bossi.

No seu discurso de formatura na Faculdade de Direito, Getúlio deixou registrada suas opiniões sobre o assunto, pronunciando um libelo contra o cristianismo.

“Foi sobre a ruinaria da civilização greco-romana que desabrochou a flor mórbida do pensamento cristão”, falou para os presentes.

E continuou. “A moral cristã é contra a natureza humana” e “o cristianismo é inimigo da civilização”.

Segundo o autor, Getúlio considerava que o cristianismo significava um retrocesso em relação às “grandes conquistas progressivas da humanidade”, um freio ao “ideal superior de força e energia” que teria sido legado à civilização ocidental pela cultura greco-romana.

E vai mais além. Para Getúlio, o cristianismo “desnatura a grandeza da sexualidade, a força propagadora da espécie, a união dos seres numa transfusão do magnetismo amoroso, considerado como um comércio impuro”.

Atuando politicamente em um país dominantemente católico, Getúlio guardou a sete chaves esse discurso. Ele foi descoberto pela família muito tempo depois da sua morte e agora está nos arquivos oficiais do ex-presidente, classificado como confidencial.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Mobilização pela regulação da mídia é urgente

A reação dos proprietários dos grandes meios de comunicação às propostas para a regulação da mídia demonstra que os detentores deste poder não vão largar facilmente o filé que o estado brasileiro deixou em suas mãos.

Está em jogo muito mais do que normas legais para controlar os excessos de marte da mídia. O que está se definindo é o poder político de parte do capital no país.

Em recente reunião em São Paulo, o Fórum 21 apresentou argumentos importantes para a mobilização dos que defendem a democratização dos meios de comunicação.

Um dos criadores do Fórum 21, Joaquim Palhares, que edita o portal Carta Maior, acredita que a luta pela regulação da mídia tem um forte componente aglutinador para as forças democráticas no país.

Para ele, é preciso “sacudir a coalizão de forças que, atualmente, está pendendo para a direita”. Palhares vê a possibilidade unir a esquerda num movimento de pressão crítica junto ao governo.

“Não se trata de uma trincheira contra o governo, mas de um movimento que atue junto e de forma crítica a ele, contra a restauração do neoliberalismo”. “Precisamos criar uma hegemonia progressista, pois nossas vitórias políticas não se sustentarão sem a disputa de ideias”.

Verbas publicitárias

Outra referência na comunicação a se posicionar na mesma direção é o jornalista e professor Venício Lima. Para ele, essa luta é um dever democrático. “Em primeiro lugar, trata-se de regular e cumprir o que já está na Constituição do país há 25 anos”.

Venício Lima explica que a Constituição já define, por exemplo, o direito de resposta, a implantação do Conselho de Comunicação Social e as restrições a políticos serem donos de veículos de comunicação.

Ele ainda define a distribuição de publicidade oficial como uma “tragédia diária”. São milhões de reais que são entregues a meios que atuam como verdadeiros partidos de oposição. “O critério técnico, de distribuir dinheiro de acordo com os índices de audiência, apenas reafirma, na prática, o oligopólio midiático brasileiro”.

Censura do mercado

O recém empossado ministro da Cultura, Juca Ferreira, também quer radicalizar a democracia no país e defende um tratamento urgente para a questão da democratização dos meios de comunicação.

Em depoimento à Rede Brasil Atual, Juca Ferreira explicou que a formação de uma sociedade política e culturalmente madura depende da superação da mídia monopolizada.

"Durante os longos anos de ditadura, nos acostumamos a ir contra a censura do Estado. Mas hoje tem a censura do mercado, e outro tipo de censura que a sociedade brasileira está descobrindo agora, que é a censura a partir dos interesses dos donos dos grandes meios de comunicação”.

Para o ministro da Cultura, se a informação é viciada, parcial e não democrática, isso vai atrasar e dificultar o desenvolvimento cultural da sociedade.

“A grande mídia tem um poder enorme na formação de opinião da sociedade e quer manter como está.” Ele propõe uma maior discussão na sociedade para que se avance na compreensão da necessidade de se regulamentar a atividade. “Não no sentido de cercear a opinião, mas no de ampliar a possibilidade de que todas as opiniões tenham presença nos meios de comunicação".

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O motorista bêbado e os três Reis Magos

Olhou para a direita, mas não conseguiu saber se vinham veículos daquela direção. O presépio não permitia uma visão segura. Adiantou o carro um pouco mais, esticou o pescoço sobre o volante, ouviu pneus cantarem e recebeu a pancada.

Desceu ainda atordoado e conversou com o motorista do outro veículo. Sem maiores prejuízos. Nada que um bom funileiro não pudesse resolver. Tinha bebido uns vinhos e deveria assumir suas responsabilidades diante do erro.

Olhou para o presépio e percebeu que a posição dos três Reis Magos é que tinha forçado ele a avançar além do permitido. Entrou no presépio e pediu explicações.

- Pessoal, meu nome é Francisco e como vocês acabaram de ver, sofri um acidente aqui ao lado por culpa de vocês.

Silêncio na manjedoura. Um pastor ainda tentou falar, mas foi silenciado por um severo olhar de São José. Francisco percebeu e disse:

- O senhor pode ficar tranquilo. A minha conversa aqui é com esses três que estão do lado da rua.

Vendo que Francisco estava muito irritado, o mais velho dos três se apresentou:

- Olhe, meu nome é Belquior e fiz uma longa viagem, seguindo uma estrela, para adorar o nascimento do rei dos judeus e presenteá-lo.

- E esses dois? – indagou Francisco.

- Também vieram com o mesmo propósito. O mais novo é o Gaspar e o outro é o Baltasar.

- Pois bem, é louvável que vocês tenham vindo de tão longe para dar presentes, mas precisava ficar na rua? Não dá para vocês ficarem um pouquinho mais para dentro? É só tirar aquele jumento dali que dá para arrumar melhor.

Demonstrando que não estava gostando da conversa, Baltasar argumentou:

- O senhor pode não saber, mas a culpa de estarmos aqui é da sua família.

- Minha família? Como?

Baltasar explicou:

- Um ancestral seu chamado Francisco de Assis, em 1223, foi quem teve a ideia de nos colocar aqui durante o Natal.

Francisco não se deu por vencido:

- Pode até ter sido um parente meu, o que santificaria a minha família, mas não explica porque vocês têm que ficar nessa posição.

Gaspar, que carregava uma sacola de ouro, deu a conversa por encerrada:

- Meu caro Francisco, nós podíamos até lhe pagar pelo prejuízo, mas o nosso ouro é para presentear o menino que está ali. Se o senhor estiver incomodado com a nossa posição no presépio, procure a Superintendência Municipal de Trânsito.

De cabeça baixa, Francisco saiu rapidamente. Já perto do carro gritou:

- Eu merecia mais respeito de vocês. Afinal, eu sou um Francisco e vou reclamar com o outro Francisco, o Papa.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Incrível descoberta da Globo: os eleitores se dividem nas eleições

Na noite deste domingo (26), após o anúncio da vitória de Dilma Roussef (PT) (51,63%) sobre Aécio Neves (PSDB) (48,36%), os comentaristas da Rede Globo se apressaram em apresentar a vitória da Dilma como um problema, já que o país saía dividido do pleito.

Será que uma diferença mínima compromete a governabilidade em um país democrático? A partir de qual vantagem não se caracteriza uma divisão?

Para responder a estas indagações vamos olhar para os resultados das últimas eleições, pelo menos das que ocorreram após a redemocratização iniciada em 1985.

Em 1989, na primeira eleição direta para presidente após o Golpe Militar de 1964, Fernando Collor (PRN), candidato apoiado abertamente pela Globo, venceu no segundo turno com 53,03% dos votos válidos. Lula (PT) obteve 46,96%.

Em 1994, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) vence já no primeiro turno uma lista de candidatos, incluindo o Lula (PT), conseguindo 55,22% dos votos válidos. Somente 5,16% a mais do que a candidata Dilma conseguiu agora.

Candidato à reeleição em 1998, ainda no primeiro turno, FHC vence novamente Lula e outros candidatos com 53,06% dos votos válidos. Ultrapassando em somente 1,43% a votação da Dilma em 2014.

A eleição de Lula em 2002 se deu no segundo turno com ele conseguindo 61,27% contra 33,37% de José Serra.

Em 2006, Lula (PT) volta a vencer no segundo turno. Consegue 60,82 % dos votos válidos. Geraldo Alckmin (PSDB) fica com 39,17%.

E agora? 60% a 40% caracteriza um país dividido?

Dilma Roussef sucede Lula em 2010, derrotando José Serra. Ela obteve 56,03% dos votos válidos contra 43,94% do candidato tucano. Outro país dividido?

Se compararmos os resultados das eleições presidenciais do Brasil com a dos EUA, país considerado por muitos como um exemplo de democracia, podemos ficar surpresos com os números.

Em 2008, Barack Obama (Democrata) obteve 52,9% dos votos e derrotou John McCain (Republicano), conseguiu 45,7% dos votos. Reeleito em 2012, Barack Obama (Democrata) teve 51,01% contra 47,16% de Mitt Romney (Republicano).

Você ouviu de algum comentarista da Globo que os EUA estaria dividido? Aliás, desde 1869 que Republicanos e Democratas se revezam no poder. Os EUA, onde fica Miami, é um país dividido?

Sinceramente, acho que os comentaristas da Globo não souberam reconhecer a derrota que sofreram e ficaram conversando besteira para não chorarem ao vivo.